Eu não me lembrava o dia exato com que vi seus olhos me olharem com tanta frieza como ela acabara de fazer. Eu havia visto esse olhar penetrante e medonho apenas duas vezes em todo minha vida.
Primeira: A três dias que o verão havia sido iniciado no Brasil, quando ele estava gargalhando feliz enquanto mascava aquela goma de mascar com aroma de eucalipto, estávamos eu e ele e mais alguns amigos reunidos. Todos rindo sem nenhum motivo, o motivo real era explicito, eu era mais uma. Mais uma besta rindo de coisas sem sentido. Quando Robert me olhou era com aquele olhar generoso, que me dava vontade de selar um beijão naqueles lábios carmins dele. Era um jogo rápido e por algum motivo, todos bebiam.
O rosto em formato de maçã de Clarice estava vermelho, ela havia ingerido tanto álcool que mal podia dizer “Madley” que a propósito é seu próprio sobrenome.
- Vai! Vai! Vai! – Gritavam todos em coral, eufóricos batendo palma. Eu estava ao lado de quem causava aquela inveja aos jogadores bombados de futebol, além de não ser tão bombado, Robert tinha um corpo magro mas ainda sim exuberante. Ele batia palma ao meu lado, rindo da confusão que nossos amigos faziam ao pronunciar seus sobrenomes, com efeito da bebida.
- Irresponsáveis. – Cochichou Robert no pé de meu ouvido. Eu ri, mas não era tão inresponsavel, não era todo dia que os pais deixavam seus filhos se reunirem na casa de alguém, e eles tinham que pensar pela lógica. Nenhum de nós havíamos bebido tanto quanto foi naquela noite, na noite das entregas. Todos, encheram a cara até não se agüentar em pé, e caiam de um lado pro outro rindo de coisas inúteis. Por que os bêbados adoram rir de coisas insignificantes?
Bem, Não faço idéia. Rolou até aquela pegação, uma troca de olhares... Você sabe muito bem do que eu estou falando, enfim. Olhares, foi o que se multiplicou ao meu redor.
- Alice, venha! Vamos! Queremos que você pronuncie seu sobrenome. – Disse um dos meus amigos no meio da multidão de cabeças bêbadas, que por sinal tinha a voz em perfeito estado, então penso eu que era George. Ele não costumava beber.
- Vai lá, eu sei que você consegue pronunciar qualquer palavra agora, até mesmo inconstitucionalissimamente. – Ele riu assim que terminou o palavrão, mais confundida do que nunca. Eu apareci no alto para pronunciar meu nome errado e fazer todos rirem.
-Alice Stewart Walfter. – Pronunciei um pouco devagar pra não errar, e mesmo assim todos riram sem parar. Feliz comigo mesma, eu olhei para o meu doce amado. Robert. Ele estava parado, com o rosto sem expressão alguma me olhando. O choque me percorreu rapidamente e logo eu quis saber o que tinha dito de errado. Ele piscou duas vezes com força, e me olhou com a expressão de dor.
O que eu não havia entendido era justamente o que eu havia feito para deixá-lo daquele forma. E você realmente quer saber o por que de Rob ter ficado tão temperamental depois daquilo? Eu te conto o por que...








