
Samantha.
Era quase constrangedor estar ali, na casa de Matt. Limpando sua garagem imunda, fedendo a óleo de carro e diesel. Eu queria gritar, e sair correndo pra bem longe daqui, mas ali era quase meu refúgio. Me conforto, eu gostava de estar onde tinha pessoa. Era ruim ficar sozinha, me trazia mais angustia e solidão, e por cima de tudo! Trazia as lembranças de que a casa nunca foi vazia, sempre meu pai estava ali. E agora ele não estava mais.
Havia se passado duas semanas que ele tinha ido, e que eu permanecia o dia inteiro na casa de Carmen, eu não dormia ali, por que me sentia pior. Da primeira e jurei que seria a ultima vez, que dormira lá, Tive centenas de pesadelos envolvendo meu pai. E eu não gostava disto.
Prometi a mim mesma que passaria o dia com Carmen e Matt, apenas para que o dia fosse mais rápido e curto, eu gostava de dias longos, mas agora tudo havia mudado pra mim. De casa pra escola da escola pro trabalho e do trabalho pra casa. O dia se repetia a mesmice de sempre, me deixando atordoada. Recebi uns e-mails do meu pai, ele dizia que estava bem, e perguntava se eu havia almoçado bem. E escrevia também algo do tipo “a comida congelada está no refrigerador, esquente e coma!” como se ele estivesse sentado no sofá da sala assistindo um bom jogo de futebol americano, pedindo para que eu mesma fizesse meu jantar. Era intrigante! Irritante ter que levar a vida sozinha. Lola dizia que eu precisava de um namorado, por que nem ela mesma estava conseguindo me suportar ultimamente. Ela e Adam, ainda estavam no mesmo caso, ele não havia cedido a vontade múltipla dela de namorar, e eu discordava que estivesse precisando de um. Era tão chato que eu pensei por um momento algo que nunca, jamais havia se quer pensado em toda minha vida!
Como seria se eu morresse? Era algo imprudente até mesmo de pensar, mas eu queria ter noção de que a vida não seria diferente sem mim, o mundo estava sem cor agora. Não apenas por que meu pai se foi, mas por que com ele alem de ter ido metade de mim, foi toda minha felicidade e minhas companhias felizes. Robert, tinha até medo de ir me visitar agora, ele dizia todos os dias no colégio que eu andava pálida, sem cor, sem vida. Chegou até a dizer que eu estava lívida! Eu não precisava da opinião dele, não me importava. Mas percebi que isto deveria me tocar como tudo o que rodeava a mim fazia. Tudo que falavam de mim, me tocava me deixava encabulada, mas agora não.
Eu não precisava mais dos meus amigos como precisei um dia, eles era fundamental para me deixar feliz. Agora nem isto importava, era algo difícil de se explicar. Cheguei a imaginar que a depressão andava gritando dentro de mim, mas não podia ser. Meu pai tinha ido, e minha mãe nunca mais voltou. Os dois agora estavam distantes de mim, e não tinha ninguém que pudesse subtítulos que nem Carmen tentara fazer ultimamente.
- Olá? Samy está tudo bem? Responda-me! – A voz veio que nem um zumbido, me tirando da inconsciência que eu permanecia por uns minutos. Respirei abafado e levantei os olhos devagar, e a vi. Carmen estava ali na frente sorridente, e eu não entendi o por que não tinha a visto ali antes.

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