Hipnose
Basta saber se você conhece verdadeiramente quem você diz que ama.

Natalie tinha os olhos focados em mim, seu sorriso lisonjeiro havia sumido e em seu lugar um sorriso maligno se formou levemente. Estávamos ao alvorecer, ela tinha me chamado para sair da festa e me trago até aquele lugar medonho. Estava escurecendo e eu não via a hora de irmos embora dali, suas mão flácidas batiam no vestido branco, seus olhos gentis permitiam que víssemos sua fraqueza e delicadeza.
Peguei sua mão, por um momento pensei que ela estivesse triste mas não. Ela só encarava o chão meio encabulada com alguma coisa.
- Vamos embora daqui Naty, está frio e escuro. - Ela acariciou minha mão com sua mão fervente. Seus dentes agora estavam contorcidos em um sorriso perfeito e estimulante, isto me deu no que pensar.
- Quero muito ficar aqui, sozinha. - Eu não sabia o por que, mas senti que eu deveria ir embora logo. Não deveria ficar com ela aqui, eu sabia que algo estava errado e eu não manteria nada no controle. Natalie soltou minha mãe, rompendo todos meus pensamentos confusos. Puxou o elástico do cabelo e o colocou em uma de minhas mãos.
-Quero que fique com isto e sumi daqui imediatamente. - Reprimi a tristeza que me inundava de forma doentio, eu tinha que ser forte. Mas que diabos eu estava com vontade de chorar? Eu era homem! A necessidade de chorar aumentou quando eu vi que ela se afastava para o negro da floresta de forma cautelosa, mas eu não via aquilo como uma garota maluca saindo em rumo a floresta em plena meia noite com uma festa bombando a alguns metros, mas eu via aquilo como uma despedida dolorosa.
Como uma despedida muito dolorosa. Como se eu sentisse que ela não voltaria tão cedo ou ao menos nunca mais estaria aqui comigo, tudo que já passamos voou. Tudo, os dias em que ela se sentava ao meu lado e balançava seus cabelos perfumados em minha direção querendo a todo custo chamar minha atenção.
-Naty volte aqui. - Consegui enfim dizer alguma coisa. Ela se virou pra mim os olhos calmos se transformando em uma expressão de culpa misturada com curiosidade.
-Você quer que eu fique? - Ela perguntou como se a resposta já não fosse obvia e já não estivesse ali estampada na minha testa. O vazio entre nós, me deixava atordoado. Assenti de forma inesperada e ela sumiu na escuridão como se eu não tivesse respondido-a.
A escuridão me envolveu, quase que me abraçando. E eu resolvi que a procuraria. Comecei a correr de volta para a festa, ela deveria voltar. Ela voltaria! Eu me obriguei a colocar isto em mente. Dando voltas e mais voltas pelo gramado da casa de Mattison eu não a vi desfilando com seu corpo sensual por ali e isto me deixou intrigado.
- Ei cara, vem cá. Arranjei uma parada forte! - Disse Matt erguendo uma garrafa no ar sobre as milhões de cabeças que se mexiam conforme a batida da musica. Passei por Matt e sua gangue indo em direção a as escadas, Natalie estaria lá no quarto me esperando, ou caída morta de cansaço. Ela estaria lá...
Subi as escadas correndo e Matt me acompanhou desajeitado quase caindo degraus abaixo.
-O que foi irmão? - Ele perguntou, ignorei-o mais uma vez. Na tentativa de não tirar dos meus pensamentos Natalie. Abri a porta com um golpe, quase que a derrubando-a. Mas ali estava nada mais nada menos do que ...

Nenhum comentário:
Postar um comentário