
Samantha.
-Desculpe Carmen, eu estou demorando aqui por que realmente está uma sujeira, mas vou terminar em dois minutos. – Falei percebendo que o tempo que havia passado a deriva, tinha me deixado sem terminar meu serviço.
- Não que isto Samy! Na verdade vim ver o que estava fazendo, você anda... Muito... É, área. – Falou ela enquanto arrastava duas latas de tinta para o canto da garagem. Tentei sorrir, mas não consegui e acabou saindo uma careta horrível.
-Estou em época de provas, estou preocupada com minhas notas. – Falei. Eu não mentira, estava mesmo em época de prova. Mas eu não estava preocupada, mesmo estando péssima em todas as matérias, minha concentração foi por água a baixo, e eu nem me importava mais com isto. Eu havia colado da prova da Lola, em física, historia e inglês. Eu não sabia mas nada sobre minhas matérias prediletas, eu não prestava atenção nas aulas, e continuava com fama de “retardada” agora que eu não tinha notas boas, nem ia arrumada pro colégio, parecendo um zumbi atrás de um cérebro fresco.
-Ah claro, eu deveria ter imaginado! Vá estudar eu termino aqui Samy. – Eu teria recusado o pedido dela, mas não pude. Eu queria ir para casa me trancar no quarto um pouco.
-Obrigada Carmen, eu irei estudar em casa. – Falei tentando deixar a voz mais entusiasmada, fui para casa quase correndo, tamanha era a vontade de ficar só.
Assim que pisei os pés no meu jardim, senti o cheiro de casa, e corri pro meu quarto. Ali eu me sentia, bem. Bem para chorar e ninguém dizer “Não chore Samy” me sentia bem o suficiente para gritar, e sorrir para a parede que nem a problemática que eu era. Meu celular vibrou no pé da cama, justamente quando o sono estava me tomando. Abri os olhos rapidamente com raiva, afinal não era todos os dias que eu dormia, não agora. Peguei o celular em um movimento rápido e bruto, e atendi a ligação.
-Como está minha amiguinha predileta? – Disse logo a voz. Lola. Ultimamente ela me ligava sempre pra saber como eu andava, acho que ela tinha receio de que eu me matasse um dia desses.
-Ela estava quase dormindo. – Falei entre dentes, afim de desligar logo.
-Ah para vai, hoje vai ter a festa! Minha festa, aquela que não sei se você lembra mas estou a mais de três anos planejando ela, e você a minha melhor amiga, não esta aqui pra me ajudar, nem colocar a mão e dizer... – Ela fez uma pausa, depois voltou a falar fazendo uma voz fininha. - “Lola a sua festa está maravilhosa!”
- Pode ser por telefone? Lola tua festa deve estar maravilhosa. – Falei sem entusiasmo, ela rosnou do outro lado da linha.
-Não! Não! Não! Esta tudo errado, você tem que estar aqui comigo, não vai me dar o bolo... Né amiguinha? – Disse ela adocicando a voz para me convencer. Apesar de eu querer que a morte viesse logo me buscar, eu deveria fazer este esforcinho. Lola sempre foi tão... Tão Lola! Eu não poderia deixá-la.
Meu trabalho se tornava cada vez mais cansativo. Não era fácil tolerar uma humana imbecil entrando
- Odeio a vida. Odeio o mundo. Odeio tudo isso, preferia morrer!
Ela chegou a comentar essas palavras com tamanha imprudência contida na saliva de quem um dia amou a vida. Não suportava mais as idiotices que ela fazia agora, então resolvi que eu a mataria logo de uma vez a sangue frio. Faria com que seu desejo maior fosse escutado, um agente da morte a levaria pras profundezas sangrentas e escuras feito ônix. Ela não ficaria se lamentando. Mas que diabos tinha que ser assim? Nunca pensei que ela dependia tanto do pai, tanto assim.
Acabou que este teatro todo não teve fim, e então chegou minha hora de ser alguém que mudaria a vida dela, de verdade. Fui designado a me tornar um anjo de hemo. A palavra é grega e quer dizer. Anjo de sangue, o anjo que por uma gota de sangue da pessoa que cuida, ele se torna humano para poder protege-la de formar variadas.
Quando me disseram que eu teria que ser um anjo de hemo, eu definitivamente não quis acreditar, nem poderia ao menos suportar que teria que ficar ao lado daquele monstro que ela havia se tornado. O processo foi rápido, assim que ela dormia. Eu pensei em uma forma de tirar uma gota de sangue dela, talvez arrancando seu pé fora! Seria legal.
Peguei seu pé com a mão esquerda e tive vontade de aperta-lo até que pelo pé o sangue voasse e saísse pelos seus olhos, ou que enquanto eu torcia e arrancava seu pé fora, seus pulmões inchassem e que o ar que ela respirava explodisse em milhares de partículas de oxigênio. Eu era muito mal, ultimamente eu queria mata-la. Não agüentava vê-la daquela forma, ela não vivia! Ela parecia um zumbi, se arrastando pela casa com sondas.

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